A hora do cansaço
As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito.
De outra maneira se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade.
Começa, a esmaecer quendo nos cansamos, e todos nos cansamos, por um ou por outro itinerário, de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis
Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto acre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.
Carlos Drummond de Andrade
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por :: amandaviage :: 7:56 PM :: Comentário(s):: :